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Hoje é Terça-Feira, 22 de Agosto de 2017
Uma breve história dos Tapetes Persas


Uma breve história dos Tapetes Persas



O tapete persa (em persa farsh ou q?li) é sem dúvida uma das manifestações artísticas mais importantes do povo iraniano. O luxo associado aos tapetes persas, contrasta imensamente com sua modesta origem entre as tribos nômades da Pérsia. As temperaturas extremamente frias do planalto iraniano obrigavam os povos tribais que habitavam em tendas a se proteger contra o frio, e por isso acredita-se que esta região deve ter sido o local de nascimento dos primeiros tapetes. O gosto dos nômades pela beleza natural deu origem a criação dos desenhos complexos de cores ricas que mais tarde foram levados para as cidades onde foram incorporadas tradições e estilos de cada local. Os segredos da tecelagem têm passado de geração em geração.

Os tapetes persas podem ser divididos em três grupos: Farsh / Q?li (superior a 1,80x1,20 m), Q?licheh (igual ou menor a 1,80x1,20 m), e tapetes nômades conhecidos por Kilim(rústico). Através das várias épocas da história iraniana esta arte sofreu muitas mudanças e já dava indícios de seu crescimento antes da era islâmica.

A arte da tapeçaria existe no Irã desde os tempos antigos, de acordo com as evidências arqueológicas. Um exemplo é o tapete Pazyryk produzido no período Aquemênida, por volta de 500 a.C.. Registros históricos mostram que a corte aquêmida de Ciro, o Grande em Pasárgada era decorada com magníficos tapetes. É dito que Alexandre II da Macedônia ficou deslumbrado com os tapetes que viu na área do túmulo de Ciro, o Grande em Pasárgada.

Detalhe do tapete Pazyrik (500 a.C)


Até o século VI, os tapetes persas de lã ou de seda eram muito apreciados pelos nobres da corte em toda a região. O tapete Bahârestân (tapete "da primavera") foi encomendado pelo xá sassânida Khosrow Parviz para a sala principal de audiências do Palácio Imperial em Ctesifonte (atual Iraque). Em 637, quando a capital iraniana foi ocupada, o tapeteBaharestan foi levado pelos árabes, cortado em pedaços menores, e dividido entre os soldados vencedores como espólio.

No século VIII a província do Azerbaijão foi um dos maiores centros de tapeçaria no país. A província de Tabarestan (atuais Golestan, Mazandaran e Semnan), além de pagar impostos, enviava 600 tapetes para as cortes de califas em Bagdá a cada ano. Naquela época, os principais itens exportados dessa região eram tapetes, carpetes e pequenos tapetes para orações. Além disso, os tapetes de Khorasan, Sistan e Bukhara, com seus designs sofisticados estavam entre os mais apreciados pelos mercadores. Durante essa época foram criados os centros de tingimento ao lado dos teares das tecelagens de tapetes. A indústria começou a prosperar até a invasão do Irã pelo exército mongol.

Após a invasão do Irã pelos mongóis, a arte da tapeçaria começou a crescer durante o reinado das dinastias dos Timúridas e Ilkhanidas. A indústria de tapetes tinha grande importância na época da dinastia Qajar. Durante este período, Arak e seus subúrbios na província Central foram o maior centro de tecelagem de tapetes. Os tapetes tecidos nesta região foram divididos em quatro categorias pelos comerciantes. O melhor destes era chamado Sarouq, o segundo tipo foi chamado Mahal e o terceiro tipo Moshirabad. O último tipo destes era conhecido como Leilahan e era tecido principalmente em pequenas aldeias da Armênia.

O tapete persa mais antigo, que chegou até os nossos dias, é um exemplar da era Safávida (1501-1736), conhecido como Ardabil, atualmente no Museu Vitória e Alberto, em Londres. Este tapete tem sido objeto de intermináveis cópias de vários tamanhos e até mesmo Adolf Hitler possuía um 'Ardabil' em seu escritório em Berlim.

Detalhe do famoso tapete Ardabil


As duas guerras mundiais representam um período de declínio para os tapetes persas. A produção volta a crescer depois de 1948, graças ao incentivo dado pela dinastia Pahlavi. Em 1949, o governo iraniano organiza uma conferência em Teerã para solucionar os problemas da queda da qualidade dos tapetes, constatados desde os últimos sessenta anos. Como resultado desta conferência, o governo tomou uma série de medidas que levaram a uma renovação do tapete persa.

Com a revolução islâmica a produção de tapetes persas diminuiu extraordinariamente uma vez que o novo regime considerava os tapetes como um "tesouro nacional" e proibiu a sua exportação para o Ocidente. Esta política foi abandonada em 1984, devido à importância dos tapetes como fonte de renda. As exportações conheceram um novo avanço no final da década de 1980 e com o término da guerra Irã-Iraque.

Atualmente, as técnicas tradicionais de tecelagem estão bem vivas, apesar da maior parte da produção atual ser mecanizada. Os tapetes tradicionais tecidos à mão são comprados no mundo todo e geralmente são muito mais caros que os confeccionados à máquina por serem um produto artístico. E nos últimos anos, os tapetes iranianos vêm sofrendo com as falsificações feitas em outros países. No Museu do Tapete do Irã, em Teerã, podem ser vistas muitas peças únicas de tapetes persas.

Fonte: Blog Chá de Lima da Pérsia