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Hoje é Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Yazd, a jóia do deserto no coração do Irã


Yazd, a jóia do deserto no coração do Irã



Yazd é a capital da província homônima, no Irã central, localizada a 270 km a sudeste de Isfahan. É uma cidade de arquitetura única devido a necessidade de adaptações sucessivas ao ambiente imprevisível do deserto que a circunda. Também é famosa por ser o centro da cultura zoroastriana, pela qualidade do seu artesanato e por suas lojas de doces.

Situada em um oásis onde os desertos de Dasht-e Kavir e Dasht-e Lut se encontram, a cidade às vezes é chamado de "a noiva do Kavir". Sua história remonta há mais de 3.000 anos, quando durante o Império medo persa era conhecida como Ysatis (ou Issatis). O nome atual da cidade no entanto, é derivado de Yazdegerd I, um governante sassânida quando a cidade era definitivamente um centro zoroastriano. Depois da conquista árabe islâmica da Pérsia, muitos zoroastrianos fugiram de províncias vizinhas para Yazd. A cidade permaneceu zoroastriana, mesmo após a conquista, pagando uma taxa, mas gradualmente o Islã se tornou a religião dominante na cidade.

O nome de Yazd também está relacionado à palavra Avestan Izad que siginfica "divina". Diz-se que os gregos conheciam a cidade como Issatis, que foi construída sobre uma cidade mais antiga chamada Katteh ou Kaseh. Após a conquista árabe do Irã, a cidade ficou conhecida por um tempo como Darol'ebadeh. Entretanto a cidade de Yazd também ganhou apelidos poéticos com "a encruzilhada do Irã", "a Noiva do Deserto", "a Pérola do Deserto" e "a cidade dos Badgirs" (torres de vento).

Devido à sua localização remota no deserto e a dificuldade de abordagem, Yazd se manteve praticamente imune a grandes batalhas e era um refúgio para aqueles que enfrentavam o terror em outras partes da Pérsia durante a invasão de Gengis Khan. Ela também foi visitada por Marco Polo em 1272, que comentou sobre a sua grande indústria de tecelagem de seda.

Durante a Dinastia Muzafárida no século XIV, Yazd serviu brevemente como capital e foi sitiada, sem sucesso, entre 1350-1351 pelos Injúidas. A Mesquita Jameh-e-Kabir, sem dúvida o maior marco arquitetônico da cidade e outros edifícios importantes, datam deste período. Sob o domínio do Safavidas (séc. XVI), algumas pessoas emigraram de Yazd para uma área que é hoje na fronteira Irã-Afeganistão que ficou conhecido como Yazdi. Neste local, na cidade de Farah, no Afeganistão, ainda hoje, as pessoas falam com sotaque muito semelhante ao do povo de Yazd. Durante a dinastia Qajar (século XVIII) a cidade foi governada pelos Khans Bakhtiari.

Yazd possui algumas das maiores expressões da arquitetura militar do Irã central, desde suas aldeias fortificadas, postos de estrada, castelos provinciais, cidadelas imperiais até as muralhas que cercam cidades inteiras; é uma cidade fortificada desde a sua criação no período Sassânida. Construída em grande parte com tijolos de barro e palha misturada com lama reforçada com madeira, as paredes de Yazd demonstram uma continuidade visual em escala, cor e forma com a arquitetura interna da cidade. Grandes porções das muralhas da cidade, abrangendo a Shahr-e Nau ou "Nova Cidade" foram demolidas no período Pahlavi e na atual República, para acomodar o crescimento urbano e rotas de tráfego em expansão.

Yazd é da maior importância como centro da arquitetura persa. Devido ao seu clima, tem uma das maiores redes de qanats (aquedutos) do mundo. Yazd é também uma das maiores cidades construídas quase inteiramente de adobe. Para lidar com os verões extremamente quentes, muitos edifícios antigos em Yazd tem badgirs, ou "torres coletoras de vento" e grandes áreas subterrâneas.

Sempre conhecida pela qualidade de sua seda e tapetes, Yazd é hoje um dos centros industriais do Irã para têxteis. Uma parcela significativa da população também é empregada em outros setores, incluindo uma crescente indústria de tecnologia da informação. Atualmente Yazd é a maior fabricante de fibra óptica no Irã. As confeitarias de Yazd também são famosas em todo o Irã, e atraem muitos turistas para a cidade. As receitas tradicionais de doces são mantidas em segredo por famílias que mantiveram suas próprias empresas durante muitas gerações. Baghlava, ghotab e pashmak são os doces mais populares da cidade.
A herança Yazd como um centro do Zoroastrismo também é importante. Há uma Torre do Silêncio na periferia e a cidade tem um Templo do Fogo, que mantém uma chama acesa continuamente desde 470 d.C. Mas atualmente, os zoroastrianos compõem uma minoria significativa da população da cidade, cerca de 5 a 10 por cento.