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Hoje é Quarta-Feira, 13 de Novembro de 2019
Venha conosco ao Irã - 23 - província de Isfahán - igreja Vank


Venha conosco ao Irã - 23 - província de Isfahán - igreja Vank

Neste artigo continuamos nossa viagem virtual à cidade histórica de Isfahan, visitando os lugares onde nasceram muitos artistas. Na primeira parte deste artigo, lhes apresentaremos o bairro de Jolfa, para conhecer a igreja Vank, uma das mais conhecidas ne



Jolfa, localizada na beira do rio de Aras, é um dos bairros da cidade de Isfahán, construídos durante o reinado da dinastia Safavida. Seus habitantes são armênios que imigraram para esta zona em 1065.
Jolfa, localizada ao sul do rio Zayandehrud, foi o lugar de residência exclusiva dos armênios, mas, hoje em dia, além dos armênios, vivem pessoas de outras religiões neste bairro. A presença dos armênios na cidade de Isfahán foi o motivo de se construíssem muitas igrejas, algumas muito importantes. Entre as igrejas mais antigas, podemos mencionar “Jacob, Guiorek, María, Bith ao Lahm e a igreja de Vank”. O fato da existência de igrejas num país islâmico realça o respeito reciproco a todas as religiões sagradas e às minorias religiosas.
A igreja de Vank, a mais bela na região de Jolfa, foi construída na época do Xã Abbas II. Na língua armênia, está igreja é conhecida “Amenaperkich”, que significa "Salvador", também é conhecida como a igreja San Sower. Ela tem uma grande cúpula, altas paredes e abóbadas muito formosas. Também, o seu pátio principal tem forma de paralelogramo e está dividida em duas partes, a primeira é a nave e, a segunda, que se encontra a cúpula, é o lugar onde se cantam canções religiosas e natalinas. As partes inferiores das paredes do pátio estão cobertas com azulejos coloridos. E as partes superiores das paredes e as cúpulas estão pintadas com imagens inspiradas na Bíblia. Assim mesmo, ao redor da cúpula da igreja, os pintores armênios têm recreado a história da Adão e Eva. No precioso altar da igreja, também se encontram a imagem do Santo Cristo (cumprimentos sejam para ele). A fachada exterior da cúpula está coberta com tijolos singelos. A igreja de Vank tem duas entradas. A porta principal, de madeira, é por onde normalmente entram visitantes. Ao cruzar um corredor chegamos às escadas da entrada e, ao seu lado direito está à torre na qual se encontra o sino da igreja. Quatro colunas de pedra suportam esta linda torre. No pátio da igreja estão sepultados os conhecidos armênios, bispos, representantes políticos dos países europeus que faleceram na cidade de Isfahán, entre outros. Dentro da igreja, além do mausoléu, do altar, também existem outros edifícios que albergam o museu, a imprensa, a biblioteca e o edificio do califato. No museu de Vank que tem múltiplos salões, se conservam valiosas obras artísticas tais como preciosos quadros e numerosas Bíblias. Uma interessante parte da Bíblia tem sido escrito em sete línguas, sendo considerada uma das menores Bíblias em todo mundo com apenas sete gramas. No modo geral, a igreja Vank é uma mostra da sensibilidade do espírito dos artistas armênios da cidade de Isfahán.
Curiosamente, num jardim ao lado do rio Zayandehrud, se encontra um pequeno mausoléu onde estão enterrados os restos do conhecido professor e iranólgo Athur Upham Pope e os de sua esposa Phyllis Ackerman, sendo como sempre recordar a profunda influência da cultura persa na gente de diferentes partes do mundo.
A história, a cultura, a literatura, a arte e a natureza peculiar e exclusiva do Irã são tão fascinantes que atraem muitas pessoas. De maneira que, alguns, têm dedicado muitos anos de sua vida a conhecer e pesquisar sobre o Irã.
O professor, Athur Upham Pope, era um dos amantes da arte e do povo persa e, durante muitos anos de sua vida pesquisou sobre este país visando estreitar os laços de amizade entre o Irã e outros países do mundo, através de troca de conhecimento reciprocamente.
Pope tem muitas obras sobre o Irã e a arte deste país, como exemplo, o livro "Estudos da arte persa" em XVI volumes escrito em inglês, dos quais alguns foram traduzidos em persa. No livro mencionado ele recolheu mais de cinco mil imagens. O livro de mais de três mil páginas é um livro de estudos escritos por mais de 70 pesquisadores e iranólogos famosos do mundo. Este livro inclui todas as artes do Irã, tais como a arquitetura, cerâmica, as esculturas sobre metal, a arte decorativa na madeira, a estatuaria, as decorações com gesso, a pintura, as decorações em forma de miniaturas, o tapete, etc.
O livro de Estudos da arte persa é uma das referências mais completas sobre esta matéria. Entre os livros mais destacados de Athur Upham Pope podemos listar o de Arquitetura do Irã, as artes mais destacadas do Irã, como a cerâmica, uma introdução na arte de miniatura persa; um valioso representante das formas e a cor e da história da pintura iraniana. Pope viveu os últimos anos de sua vida na cidade de Shiraz e, segundo seu testamento, foi enterrado num mausoléu na cidade de Isfahán.
Pope elegeu a cidade de Isfahán para seu descanso eterno, ele mesmo a descreveu assim:
"A mim me encanta Isfahán, onde passei o mais importante período da minha vida. Desejos que enterrassem nesta cidade, pretendem assim demonstrar ao povo iraniano que seus sábios, seus artistas, seus líderes criativos têm tantas sublimes características que tem causado a profunda admiração de intelectuais de outros países. Ademais, pretendo dizer aos que visitem meu túmulo que se alguém como eu está enterrado no Irã não é porque tem perdido, por acaso, a vida nesta terra, mas que é por seu sólido fascínio por esta terra sagrada. E para um, que tem compreendido a posição espiritual do Irã, é uma grande honra que este país seja seu último destino onde descansa eternamente. Desta maneira, pode-se manifestar a fé ao território dos grandes homens."
As torres em formas cilíndricos e cúbicas nos jardins da igreja chamam atenção de turistas e arquitetos do mundo. Estas torres no Irã chamam-se Kabutar-khane (ou recantos de pombas), o seja são pombeiros, os quais são sem pares em todo mundo desde o ponto de vista de número, amplitude, complexidade e evolução da arquitetura. O turista francês Chardon, na visita que fez na época de Safavida a Isfahán, tinha estimado a existência de mais de três mil pombeiros nesta cidade. Os estudos sobre estes lugares indicam que estes edifícios têm sido construídos maravilhosamente de barro não cosido e com uma técnica particular arquitetônica. As torres têm a forma de cilindro ou cubico-retangular, com 14 a 25 metros de comprimento, de 6 metros de largura e de uns 7 a 10 metros de altura e obedecem a uma norma específica. O aspecto interior da cada pombeiro contém milhares de ninhos que estão construídos aos tamanhos similares para o descanso de pombas.
Na parte inferior de pombeiros conserva-se o excremento das pombas que serve como um composto ou adubos na agricultura. Tendo em conta o grande tamanho dos pombeiros, localizaram-se as janelas pelas quais entram e saem estes aves.
A específica arquitetura dos pombeiros, parecendo como um castelo que protege da invasão de outras aves tais como falcões, gaviões e corvos. Também, para proteger às pombas de ladrões e caçadores, os Kabutar-khane não têm uma entrada par os seres humanos. As fábricas de adubos há séculos são umas das instalações mais importantes de agricultura no Irã e, algumas delas ainda seguem trabalhando, o qual demonstra a iniciativa de uma nação que se enfrentou com diferentes tipos de dificuldades naturais já que, na cada parte deste território, encontrou-se uma solução para concordar com a natureza e levar uma vida tranquila.