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Hoje é Domingo, 8 de Dezembro de 2019
Venha conosco ao Irã - 27 - Província de Isfahán - Cidade Kashan


Venha conosco ao Irã - 27 - Província de Isfahán - Cidade Kashan

Neste artigo continuamos com nossa viagem à cidade de Kashan na província de Isfahán e conheceremos outras atrações desta parte do Irã.



Na primeira parte desta série apresentamos a antiga região chamada Sialk, na cidade de Kashan, que é considerada uma parte valiosa da história iraniana. Sialk é o nome de uma das primeiras civilizações urbanas no centro do Irã que se encontra a 3 Km. Ao sudoeste de Kashan. O antigo recinto Sialk, com 7 mil anos da idade, está formado por dois cemitérios e duas colinas com 600 metros de distância uma da outra. Este lugar está registado na lista de patrimônios históricos e nacionais do Irã.
O antigo recinto de Sialk é um dos mais conhecidos e antigos do mundo. Este lugar histórico era desconhecido até 1931.
Um grupo de arqueólogos francês, chefiado pelo professor Roman Ghirshman, dedicaram-se durante dois anos em 1931 nas escavações na região de Sialk acharam objetos de argila e metal dentro das colinas, as quais lhes levou os surpreendentes resultados. Segundo estas investigações, Sialk de Kashan era o primeiro lugar onde teria nascido a civilização humana e o primeiro lugar onde o ser humano se tinha alojado em casas feitas com materiais de construção.
As descobertas em Sialk estão guardadas no museu de Louvre na França, no museu nacional do Irã, no museu de Jardim de Fim de Kashan e também num outro museu junto a este lugar antigo. Durante a investigação no antigo recinto de Sialk, os arqueólogos descobriram o mais antigo Zigurat (templos em formato de pirâmides) do mundo, data a 2800 anos a.C., o qual está construído com mais de um milhão de barra de tijolos. Os arqueólogos, além do Zigurat, também descobriram uma parte industrial onde encontram fornos de fusão de metal que pertenciam ao terceiro mileno a.C. Está previsto a restauração destes fornos e os restos do edifício pertencentes à Idade de Ferro. Pelo visto, esta região habitada, situada perto do mar Tetis (um grande mar que abarcava toda a planice central do Irã e Afeganistão) e, em que pouco a pouco se secou, reduziu-se esta área marítima, se transformando em terras agrícolas e, provavelmente, pessoas que viviam nas alturas emigravam para o recinto de Sialk.
Numa primeira vista, Sialk é muito similar a uma colina de terra com paredes de adobe mas, com um pouco de atenção, se descobre a sua antiguidade e parece como um corredor que nos leva a um novo mundo; um paraíso para os arqueólogos. Sialk é o único lugar histórico no planalto do Irã onde acharam documentos que pertencem as épocas anteriores aos Aquemênida.
Na segunda parte deste artigo, falaremos do vilarejo de Mashad-e Ardehal, conhecida por um ritual tradicional chamada Ghalishuyan (que significa a lavagem de tapete). Uma cerimônia que está registada na lista das heranças culturais do Irã.
O vilarejo de Mashad-e Ardehal, segundo os seus próprios residentes, se localiza nos subúrbios de Niasar, a 42 quilômetros de distância ao noroeste de Kashan, na província de Isfahán. O local está situado a 1825 metros acima do nível do mar e tem um clima temperado, um pouco frio e, segundo último censo tem dois mil habitantes. A posição geográfica do vilarejo tem um vista influíndo em sua arquitetura, já que está situada na lateral da montanha e junto ao deserto. O emprego de tijolos de adobe, a espessura das paredes, o pátio central, o jardim, a piscina, o terraço, as pequenas janelas e casas direcionadas ao sol, todas estas são características próprias da arquitetura do deserto. Os materiais de construção que se utilizam nas casas tradicionais de Ardehal são normalmente da madeira, o adobe, a pedra e o tijolo. Por suposto, nas novas casas empregam-se modernos materiais de construção.
Os habitantes do vilarejo são na maioria camponeses, alguns deles se dedicam ao artesanato. Os mais importantes produtos de agricultura desta zona são o trigo, a cevada, os legumes, a almendra e a nozes. Os tapetes tecidos a mão por mulheres e garotas se destacam entre os mais importantes produtos artesanais desta região. Os tapetes de Kashan impressionam por seu desenho especial. Outros habitantes também se dedicam as diferentes tipos de serviços. Ardahal recebe anualmente muitos turistas de diferentes partes do Irã devido a suas atrações naturais, históricas e religiosas.
Podem-se estudar as atrações turísticas de Mashad-e Ardehal desde diferentes dimensões. A perspectiva das areias intermináveis do deserto e o céu coberto de estrelas, seus jardins e campos verdes do local contribuíram-lhe uma exclusiva visão.
No Mashad-e Ardehal encontra-se o templo de Soltan Ali ben Mohamad Baqer (S.A), um dos bisnetos do grande profeta do Islã (S), e é um dos monumentos da época de Saljuqian. Este templo foi construído sob a ordem de Maydodin Obeid-e Kashani. Na época de Safavidas e os Qajaritas, além de alguns reparos também foram feitos outros edifícios neste conjunto.
Três antigos castelos com aplicação defensiva são outras das atrações históricas deste vilarejo e indica o passado rico desta região. Ainda, neste local encontra-se o templo do poeta e o pintor contemporâneo iraniano, Sohrab Sepehri, o que tem ajudado a atrair um maior número de turistas.
Mas o feito mais famoso no vilarejo é uma cerimônia religiosa que se celebra anualmente, na segunda sexta-feira do mês de Mehr em persa (que coincide com o mês outubro). Os habitantes deste lugar celebram o ritual chamado Qalishuyan (ou a lavagem de tapete) no mausoléu, com o fim de prestar a homenagem à grande figura de “Imamzadeh Soltan Ali”, cuja cúpula e paredes de seu mausoléu estão decoradas com azulejos azuis.
Segundo a tradição, o Imam Mohamad Baqer (S), um dos descendentes do profeta do Islã (P), enviou o seu filho, chamado Ali, nos princípios do século II da hégira lunar, a esta região pelo convite dos habitantes do Fim de Kashan, com o objetivo de propagar o Islã e orientar o povo. Soltan Ali orientou durante 3 anos o povo até que um dos governadores de Omiadas na cidade do Qom se deu conta da sua popularidade na região. Por tanto, enviou seus homens no ano 106 da hégira lunar para matá-lo. Eles cumpriram sua fatal missão e além de matar a Soltan Ali, acabaram com a vida de seus seguidores em Ardehal.
O povo do Fim de Kashan, depois de se inteirarem da notícia, foram de pressa a Ardehal para ajudar-lhe. Mas, quando chegaram o Soltan Ali já tinha sido assassinado; então, envolveram-no num tapete, batizaram -no religiosamente num rio que estava perto do local e depois o enterraram. Desde esta data até o momento, anualmente, na segunda sexta-feira de mês de outubro, milhares de pessoas vêm da região do Fim de Kashan para a celebrar a cerimônia em forma simbólica.
No dia da lavagem de tapete, muita gente, vindas de diferentes lugares, reúne-se em Ardehal para ver a cerimônia simbólica de purificação religiosa do Soltan Ali. O povo da Fim de Kashan e de outras aldeias celebram a mesma cerimônia, segundo a qual, se enrolam uma dos tapetes do mausoléu sendo carregados nos ombros dos jovens para um rio que se encontra perto do mausoléu. O povo em grupo acompanham essa procissão movendo nas mãos bastões no ar como um ato simbólico de enfrentar contra os assassinos do Soltan Ali. Eles jogam o tapete ao lado do rio, lavando-o com água de rosas, em forma simbólica, para purificá-lo e depois levam-no com muito entusiasmo para dentro do mausoléu.